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História da Land Rover

Por Pedro Santos a domingo, 10 de outubro de 2010

As viaturas ligeiras de tracção às 4 rodas nasceram da necessidade bélica da Segunda Guerra Mundial, mas a Land Rover nasceu na paz de um mundo em reconciliação. Feita com os restos de equipamento militar a “nossa marca” nasceu para a reconstrução, para a ajuda humanitária, para a exploração, para ajudar o Homem a superar-se e a conhecer melhor o seu Mundo em vez de o destruir.

A Land Rover é uma marca de automóveis como muitas outras. É uma empresa como muitas outras. Mas é também um marco na História Moderna, um grande passo para a Humanidade.

"Embora a autoria do nome LAND ROVER seja, na maioria das vezes, atribuído a Maurice Wilks, em 1947, parece que este terá tido a sua origem alguns anos antes da II Grande Guerra. Segundo o reputado historiador da LAND ROVER, John Smith, um dos irmãos Wilks, Spencer, terá comprado, em meados dos anos 30, um antiga escola, situada em Glenegedale, na Ilha de Islay, no arquipélago das Inner Hebrides, situadas junto à costa oeste da Escócia. Por essa altura as estradas da ilha eram praticamente inexistentes e Spencer Wilks, à altura executivo da Rover Car Co., pediu aos seus colegas para que lhe modificassem a suspensão do seu Rover 10 P2, para que o mesmo pudesse circular nos “maus caminhos” que levavam à escola, agora transformada na sua casa de férias. Este veículo, com a sua suspensão mais alta que o habitual chamava a atenção dos habitantes locais.

Certo dia, um agricultor, chamado Fraser, sem se impressionar com as capacidades do Rover, ter-se-á dirigido a Spencer dizendo-lhe que o que ele necessitava era de um “…proper LAND ROVER”, o que numa tradução à letra nos dá “ … um Rover próprio para a terra”. Spencer Wilks terá fixado este nome e comentado com o irmão Maurice mas, por esta altura, a Rover não tinha quaisquer planos para construir 4x4’s, estando ainda completamente envolvida no fabrico de carros de prestígio. No entanto, o nome terá ficado gravado na memória dos irmão Wilks.

Alguns anos mais tarde, em 1947, a Rover Co. estava, agora sim, interessada em desenvolver uma linha de veículos utilitários e assim, a 16 de Outubro de 1947, o conselho de administração da empresa acaba por aprovar o nome “Landrover”. Embora o nome aprovado pela Rover fosse Landrover, sem hífen (-), os primeiros veículos da marca possuíam um logotipo onde as duas palavras apareciam ligadas pelo hífen, o que fez com que se adoptasse a designação Land-Rover e, mais tarde, LAND ROVER."



Os Willys e Ford do Exército Americano e o(s) “Centre Steer”

Em Setembro de 1947, um funcionário da Rover Co. tira várias fotos àquilo que parecia ser um Willys GP (General Purpose), mas com o volante ao centro. Este veículo ficou conhecido como o “Centre Steer”, ou seja, “Direcção ao Centro”.

Por essa altura, testemunhos de outros funcionários levam a crer na existência de um segundo veículo, do mesmo tipo, mas este sem carroçaria, apenas destinado a testes de torção. Até hoje estes dois veículos, que se acredita terem sido desmantelados, são o Santo Graal dos coleccionadores da marca.

Para se compreender o aparecimento destes veículos, desenvolvidos por uma marca que fabricava carros de prestígio, temos que recuar um pouco no tempo e analisar a situação na Inglaterra nos anos que se seguiram à guerra. O país está ainda em reconstrução e faltam muitas matérias-primas essenciais, que estão sujeitas a racionamento pelo estado. Uma destas matérias-primas é o aço, essencial ao fabrico de automóveis. Esse racionamento causou muitos problemas à Rover, que sem aço não podia construir os seus veículos. Mas a Rover tinha problemas adicionais. De facto, a sua linha de automóveis estava envelhecida, sobrevivendo a marca da venda de veículos com um design ultrapassado e com poucas unidades exportadas (a exportação era fundamental para que o governo atribuísse quotas de aço).

Um outro factor veio juntar-se a esta situação. Em Fevereiro de 1947 a Inglaterra foi atingida por um Inverno extremamente rigoroso, com temperaturas na ordem dos -21ºC e com nevões intensos. A 5 de Março de 1947, um nevão que ficou conhecido como “The Great Midlands Snowstorm” interrompeu a mais movimentada estrada do país. Tudo isto faz com que a Rover parasse a produção por cerca de 3 semanas e, quando a mesma retoma, é apenas em turnos de 3 dias por semana devido à escassez de combustíveis.

No entanto, esta tempestade terá uma importância fulcral no aparecimento dos primeiros LAND ROVER. De facto, uma das zonas mais afectadas foi aquela onde habitava Maurice Wilks (director técnico da Rover Co.), Kenilworth.

Aqui, Maurice já não conseguia chegar a sua casa, Blackdown Manor, com o seu Rover P2, pois este não tinha tracção para vencer os 100m de caminho ascendente cheios de neve e gelo, que ligavam a estrada à habitação.

Maurice Wilks teve que pedir ao seu vizinho, um Coronel de Exército Britânico de nome Nash, que lhe emprestasse o seu veículo. Este era, nem mais nem menos, um Willys GP, de matícula FWD 534, que tinha servido durante a guerra o exército Americano, sendo portanto um veículo de volante à esquerda, contrariamente aos utilizados normalmente na Inglaterra. Maurice Wilks utilizou este Willys como transporte para casa e como limpa neves durante alguns dias.

A 16 de Março de 1947 o Inverno termina abruptamente com uma subida de temperatura que traz chuva intensa e ventos na ordem dos 150 km/h, causando inundações e quedas de árvores. O acesso à casa da família Wilks fica agora bloqueado pelas árvores caídas, muitas delas antigas e volumosas, sendo impossível a sua remoção com o Willys. De notar que estes veículos, desenhados para aplicações bélicas, não possuíam tomadas de força. Maurice Wilks teve que recorrer a um depósito de material de guerra excedentário, para adquirir um veículo capaz de limpar o caminho. A escolha recaiu numa robusta Lloyd Infantry Carrier, equipada com lagartas, com a qual conseguiu retirar as árvores caídas. No final da primavera Maurice Wilks não tem utilidade para um veículo tão grande, e acaba por negociar a troca com o seu vizinho, o Coronel Nash, que fica com a Lloyd por troca do Willys e de uma serra circular.

Nessa Páscoa a família Wilks dirige-se, como habitualmente, para umas férias no País de Gales, mais precisamente para Llanddona Beach, na reserva natural de Red Wharf Bay. Parte do trabalho de Maurice Wilks para a Rover Co. consistia em analisar viaturas construídas pelos seus concorrentes e, para estas férias, levou consigo um Studebaker Champion Regal (veículo que seria usado no desenvolvimento do Rover P4), deixando o Willys em Kenilworth.

Alguns dias depois Maurice, que está na praia com os 3 filhos, a ama destes, e a sua esposa Bárbara, recebe a visita do seu irmão Spencer e de um amigo comum, o Bispo Warren Hunt. Nesse dia, em conversa na praia, Maurice começa a fazer uns esboços na areia e a dizer que gostaria de ter um veículo que lhe permitisse andar na areia com os filhos e percorrer os difíceis caminhos à volta do hotel. Segundo os presentes neste dia, Maurice ia ficando cada vez mais excitado à medida que falava e desenhava na areia. Estes desenhos na areia foram depois copiados por Maurice para o seu diário.

Katheleen Griffith, a ama dos 3 filhos de Maurice, afirma também que, um dia ao entrar na casa de banho de Blackdown Manor, encontrou as paredes cheias de desenhos idênticos aos que Maurice havia feito na areia. Essas notas no diário seriam a origem do Centre Steer e daquele que viria a ser o Series I. As primeiras fotografias conhecidas de um LAND ROVER Series I (excepto o Centre Steer) datam de 19 de Janeiro de 1948, ou seja, cerca de nove meses após as primeiras notas na areia e no diário, em mais uma fantástica coincidência.

Estas fotografias representam alguns dos modelos de pré-produção, com chassis numerados R ou L (conforme tivessem volante à direita ou à esquerda) 01 a 48. Destes pré- produção existem ainda cerca de 20 dos 48 produzidos.

A 30 Abril de 1948 os primeiros LAND ROVER são apresentados ao público no Salão de Amesterdão, e inicia-se a sua comercialização. O preço de lançamento são £450,00. A produção terá inicio 3 meses depois, em Julho e, durante o primeiro ano, serão produzidos 3048 veículos. O primeiro LAND ROVER de pré produção, com o chassis R01, foi matriculado HUE 166, tendo sido vendido a um agricultor de Warwickshire. Foi mais tarde adquirido novamente pela LAND ROVER que o restaurou, estando hoje em perfeito estado em exposição permanente na British Motor Industry Heritage Trust (BMIHT).

Maurice conseguiu, finalmente, em Junho de 1948, levar o seu primeiro LAND ROVER para a praia de Red Wharf Bay. Era o Series I com o chassis R28, matriculado GWD 745 a 15/6/48. Para a história ficam também todos os protagonistas na fábrica, a saber, Maurice Wilks (Director Técnico), Robert Boyle (Engenheiro Chefe), Tom Barton e Gordon Bashford (Gabinete de Desenho), Joe Drinkwater (Motores), Frank Shaw (Transmissões) e o autor do desenho final do Séries I, Sam Ostler. Em 1954, Tom Barton seria nomeado Director de Desenvolvimento da LAND ROVER, uma posição que manteve por cerca de 25 anos, até à sua reforma em 1980, ficando carinhosamente conhecido como o Sr. LAND ROVER."

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