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Nos trilhos dos prospectores do Kalahari

Por Pedro Santos a terça-feira, 26 de outubro de 2010

Nos trilhos dos prospectores do Kalahari
Land Rovers nos trilhos dos prospectores do Kalahari

Conhecido pelo seu isolamento mas também pelo ouro e diamantes que atraíram muitos exploradores no Séc.XIX, o Northern Cape e o seu deserto do Kalahari é actualmente um local de eleição para expedições.

Artigo original de Greg Hudson, África do Sul. Adaptação de Pedro Santos.

Os mapas do Cabo datam do princípio de 1800 e desde então os exploradores têm explorado estas montanhas e analisado a sua geologia na esperança de encontrar o ouro no "fim do arco-íris". Para a maioria o pote de ouro nunca surgiu e muito poucos conseguiram fazer vida da prospecção aqui.

Já visitei esta área mais de 120 vezes, seguindo os muitos trilhos existentes mas recentemente, numa conversa entre amigos junto a uma fogueira, surgiu a ideia de juntar a história desta zona com o nosso gosto por aventura. Na próxima expedição seguiríamos os trilhos que os primeiros prospectores teriam percorrido na sua busca por riqueza.

Nos trilhos dos prospectores do Kalahari
Eu e os meus mapas...
Tendo estado nesta zona por mais de um ano (juntando todas as expedições) conheço bem esta área e normalmente viajo sozinho ou na companhia de mais dois ou três veículos. Mas desta vez decidi convidar mais alguns amigos, entusiastas dos Land Rovers, como eu. Emails para cá e para lá e ficou definido o percurso a seguir bem como o grupo de "exploradores". As viaturas seriam todas Land Rover, mais concretamente dois Defender 90 Tdi, um 90 Td5, dois 110 Td5, um 110 Tdi e dois Discovery V8.

Nos trilhos dos prospectores do Kalahari
Na mina abandonada
Combinámos o encontro para um Sábado de manhã a norte de Springbok. O Kevin e o Buzzy chegariam no dia anterior e acampariam no local do encontro, prometendo ter preparada uma fogueira e café para receber os restantes participantes. Quando chegámos ainda estavam a dormir...

A noite tinha sido fria e chegou mesmo a chover, mas na semana anterior Namaqualand, uma das regiões que iríamos explorar registou 47 graus centígrados. Depois do pequeno almoço arrumámos o acampamento e seguimos em direcção a noroeste onde se juntaram os últimos membros da expedição. Percorremos um velho trilho poeirento que eu conheço até uma mina abandonada que tinha descoberto numa das minhas viagens. O Rob e eu explorámos todas as galerias que encontrámos fazendo fugir os morcegos. Sinceramente não consigo imaginar o que deveria ter sido para as pessoas que aqui trabalhavam, em espaços claustrofóbicos, sem ventilação e com 45 graus de temperatura.
Nos trilhos dos prospectores do Kalahari
O grupo segue o caminho dos prospectores

Continuando o caminho seguimos alguns leitos de rios secos cujas pistas arenosas são mais suaves para os Land Rovers e permitem-nos alguma velocidade. Mas o sentido que pretendemos seguir obriga-nos a percorrer alguns caminhos bem mais desafiantes, voltando para trás quando os obstáculos nos levam a becos sem saída. Terão os prospectores feito as mesmas escolhas e enfrentado os mesmos desafios?

O mapa indica-nos que temos de descer uma encosta. Este percurso deve ser pouco usado, provavelmente pela dificuldade que as grandes pedras impõem. O trilho demora todo um dia a ser percorrido e leva-nos, finalmente, a um largo e suave vale onde podemos mesmo acelerar com os Land Rovers.


Nos trilhos dos prospectores do KalahariNos trilhos dos prospectores do Kalahari

Uma vez no vale viramos para Oeste na direcção para onde os prospectores deverão ter seguido com as suas caravanas de burros, mulas e até camelos. O Sol afunda-se rapidamente e procuramos um local para montar acampamento. Do lado norte do vale avistamos um local que nos parece ideal. Temos de subir um trilho que não é mais fácil do que o que nos trouxe ao vale mas com as baixas engrenadas subimos à plataforma onde iremos passar a noite. Apesar de ser um pouco inclinado é um local perfeito e rapidamente temos as tendas montadas e uma bela fogueira a crepitar. Estávamos cansados e pelas 22h já estávamos a dormir ao som dos chacais.

Nos trilhos dos prospectores do Kalahari
Acampamento montado ao pôr-do-sol



O dia seguinte iria ser o melhor da expedição. Programei no GPS alguns waypoints para nos ajudar a manter no trilho dos prospectores e depressa nos encontrámos num caminho com erva bastante alta, indicando que não era utilizado à muito tempo. Fazia-me lembrar a Busca pela Cidade Perdida do Kalahari, uma outra expedição que fiz à alguns anos. O caminho começou a descer e passámos por uma casa abandonada até outro vale de onde emanavam ondas de calor. No meio do vale apenas um velho moinho de vento onde alinhámos para tirar uma foto de grupo e seguimos de imediato. Um trilho muito pouco visível levou-nos pelas famosas dunas vermelhas do Kalahari. De trilho em trilho fomos dar a uma das estradas para Eksteensfontein para onde seguimos já que o V8 do Neil precisava abastecer.

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Dias de calor
Estavam cerca de 40 graus centígrados quando saímos de Eksteensfontein por outro trilho no leito de um rio seco que levava a um novo vale. No trajecto encontrámos uma bomba de água alimentada por um moinho de vento. Como não há manutenção destes equipamentos estaria avariada, despejando água do subsolo. Aproveitámos para tomar um refrescante duche improvisado, bem vindo neste calor imenso. Mais à frente decidimos acampar mesmo no leito do rio seco onde seguíamos. A sombra cobriu-nos à medida que o Sol se deslocava para oeste. Depressa se fez noite e os chacais começaram a uivar (sim os chacais também uivam). Estava quente e não soprava uma brisa. O fumo e as fagulhas saíam da fogueira directas ao céu, para onde olhávamos em busca de estrelas cadentes.

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Uma subida que deu luta
Na manhã seguinte saímos do vale por uma encosta íngreme e complicada. O Matt estava a ouvir um barulho no Defender que persistiu até dar um estoiro. O alojamento do diferencial apresentava agora um buraco por onde um pedaço de metal tinha saído... O Leon e o John meteram mãos ao trabalho e em pouco tempo o Defender estava de novo em movimento, agora com tracção em apenas duas rodas.

Do topo da planície já tínhamos sinal de rede nos telemóveis e juro que consegui ver o mar ao longe. No resto do trajecto passámos por fantásticas esculturas naturais de granito. Uma estrada perto levava a Springbok e o Matt decidiu seguir para casa tratar do diferencial partido enquanto nós acampámos na planície para a última noite. Pela primeira vez nesta expedição tivemos escorpiões a aproximarem-se da zona da fogueira. Arrumámos botas e qualquer outra coisa que lhes pudesse servir de esconderijo e mantivemo-nos atentos. Depois do jantar, o Buzzy apareceu com uma mousse de chocolate, tal como noutra expedição à uns seis ou sete anos atrás... Que bela sobremesa para a última noite desta viagem.

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Altura de voltar a casa
O dia seguinte foi dedicado a umas brincadeiras com os Land Rovers. Fizemos alguns trilhos de pedras em direcção a Tierhoek e à zona de Património Mundial de Richtersveld. Ainda parámos em Spitskloof para ver algumas cavernas e depois para Port Nolloth onde o grupo se despediu e separou, cada um para sua casa.

Foi uma excelente viagem, em que os nossos Land Rovers nos levaram por locais fantásticos mas que valeu principalmente pela companhia de grandes amigos.



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