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Expedicao Lilongwe Down - Africa num Range Rover (Parte 3)

Por Pedro Santos a sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Expedição Lilongwe Down - Africa num Range Rover

África, finalmente. Depois de atravessar a Europa e as suas diversas culturas, Raymond e Nereide começam agora a sua viagem pelo continente africano. Terceira parte desta saga. Se não leste início desta viagem aproveita agora.


Nos últimos dias limitámo-nos a fazer quilómetros, aproximando-nos do Cairo, onde iniciaremos verdadeiramente a nossa viagem por África. Mas já que teríamos de atravessar países como a Síria e a Jordânia, ambos com grande influência no desenvolvimento da civilização, seria injusto não dedicar algum tempo a toda esta herança cultural. Sem dúvida que estes países, só por si, merecem uma visita, mas isso reduziria consideravelmente o nosso tempo para a restante viagem.

Expedição Lilongwe Down - Africa num Range Rover
Por isso, quando saímos da Turquia rumámos a Damasco. Já perto da fronteira com a Síria, passámos por campos lindíssimos de erva verde sobre terra vermelha. Alguns pastores guardavam os seus rebanhos, aproximando-se perigosamente da estrada e passámos por várias pick ups carregadas de pessoas e bens na caixa. Estávamos algo apreensivos relativamente à fronteira síria. Não falávamos árabe e esta seria a primeira travessia envolvendo o burocrático Carnet de Passage.

Entrada na Síria
Chegando à fronteira, propriamente dita, esta era precisamente o que temíamos: edifícios imundos com funcionários de ar traiçoeiro. Tentámos perceber a qual nos deveríamos dirigir, quais ovelhas no matadouro, quando dois indivíduos de ar (mais ou menos) europeu, se aproximaram. "Somos do Ministério do Turismo. Nós ajudamos." O nosso instinto gritava para não confiar nestes "funcionários" mas logo percebemos que não teríamos outra escolha...

Uniformizado como um general, o guarda fronteiriço exigiu examinar o telemóvel do Raymond. Pegou no Iphone novo e... desapareceu. Por momentos tivemos receio que ele apreendesse o telefone. Felizmente voltou a aparecer mas foi preciso alguma persuasão para que o guarda devolvesse o telemóvel. Perguntou se íamos para Israel. respondemos que não. A resposta foi um severo "Ainda bem. Israel é inimigo da Síria!"

O processo fronteiriço foi moroso e foi necessário preencher bastantes formulários e passar de funcionário em funcionário até que, após taxas e mais taxas, fossemos finalmente autorizados a entrar na Síria. Eram agora 16h e a luz do dia acabava-se rapidamente. Ainda tínhamos 300 kms até Damasco.

A Síria é bastante rochosa, dando-lhe um constante aspecto hostil, ao que as placas com a indicação da proximidade com a fronteira iraquiana não ajudou. A estrada para Damasco não é propriamente divertida, principalmente à noite. Não é iluminada, faltam placas de indicação e as poucas existentes são em árabe. Pessoas e animais de carga circulam na estrada de forma imprevisível. Felizmente os faróis de xenon do Range que o Raymond não se coibiu de utilizar, transformam literalmente a noite em dia, para espanto dos locais. Mas de facto foi uma viagem bastante tensa.

Expedição Lilongwe Down - Africa num Range Rover
Os subúrbios de Damasco são decrépitos, escuros e os nossos mapas não serviram rigorosamente de nada. Em vez de andarmos à procura de uma agulha num palheiro recorremos à técnica que aprendemos em Istambul, com um táxi a seguir à nossa frente para nos indicar o caminho. Mas valeu a pena. O hotel Beit Rumman é simplesmente fabuloso. Tem apenas seis quartos pois é uma casa convertida. Todo o chão é em mármore, as cortinas em veludo e são vários os pormenores em madeira trabalhada. Na frente tem um pátio com uma fonte.

Destoando dos guardas fronteiriços, a população síria é ultra amigável. O recepcionista do hotel insistiu em pagar o táxi que nos guiou e tratou-nos da reserva num dos melhores restaurantes da cidade. Ficámos arrependidos de não termos programado mais tempo aqui. Mas no dia seguinte já estávamos de caminho, em direcção à Jordânia e à mítica cidade de Petra. Com 500 kms para fazer queríamos partir cedo mas com o depósito cheio. Em Damasco quase não há bombas de combustível que vendam gasóleo. Aqui todos os carros utilizam gasolina, apenas os camiões utilizam diesel. Novamente o pessoal do hotel excedeu as suas obrigações, acompanhando-nos pelas estreitas ruas de Damasco em busca de combustível. Demorou uma hora e meia mas conseguimos encontrar o necessário gasóleo que até é bastante barato, mas de qualidade bastante duvidosa.

Expedição Lilongwe Down - Africa num Range RoverExpedição Lilongwe Down - Africa num Range Rover

A caminho de Petra, Jordânia
Partimos tarde novamente, depois da busca por combustível. Mas estávamos finalmente a dirigir-nos para Sul. A entrada na Jordânia demorou duas horas de processo burocrático, mas que estranhamente já não nos afectou tanto. A viagem para Petra também correu bem e sem incidentes e ultrapassámos os mil e oitocentos metros de altitude.

Expedição Lilongwe Down - Africa num Range Rover
A cidade de Petra fica a mil e duzentos metros de altitude e foi fundada por nómadas árabes cem anos antes de Cristo. A rocha mole é perfeita para escavar, criando habitações com janelas, portas e escadas. Também escavaram túneis e passagens que ainda hoje fazem circular o ar. Quando os Romanos ocuparam esta zona também esculpiram a sua arquitectura nesta rocha. Os pilares rectos contrastam mas co-existem muito bem com a arquitectura árabe original.

Percorremos o estreito trilho até uma zona aberta mesmo em frente da lindíssima fachada do Edifício do Tesouro. A vista desta fachada à medida que se saí das paredes apertadas simplesmente deixou-nos boquiabertos. Depois por outro trilho bastante íngreme descobrimos o Mosteiro, uma construção tão bonita como enorme. O local tem bastantes pessoas, entre turistas e habitantes locais que servem chá ou transportam os estrangeiros em camelos ou burros.

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Expedição Lilongwe Down - Africa num Range Rover
Depois de todo este exercício dormimos que nem bebés. Levantámo-nos cedo e seguimos para o porto de Aqaba onde apanharíamos o ferry para o Egipto. Poderíamos guiar até lá mas para isso teríamos de passar por Israel, criando-nos imensos problemas para mais tarde entrar no Sudão.

Adorámos a visita a Petra, um monumento fantástico e um paraíso para os fotógrafos, mas estávamos agora no barco para o Egipto e, confesso, com alguma ansiedade pelo seu infame processo fronteiriço.

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