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Assalto aos sentidos! - Uma volta a bordo do QT Wildcat. (Fotos e videos)

Por Pedro Santos a sábado, 19 de março de 2011

Uma volta a bordo do QT Wildcat.

Os adeptos Land Rover têm poucas equipas pelas quais torcer nas competições de todo-terreno mas, felizmente, temos algumas espetaculares formações que competem com viaturas derivadas dos nossos Lands: Os Wildcat, da QT Services que, em Portugal, são representados pela Paredecat. Fomos conhecer esta equipa e fomos brindados com uma volta a bordo da máquina de Lino Carapeta, com o piloto a tentar fazer-nos saltar os olhos das orbitas... Brutal.

Lino Carapeta e Rui António competem este fim de semana no Campeonato Nacional de Todo Terreno, na Baja Carmim, pelos belos trilhos algarvios. Com um QT Wildcat preparado pela Paredecar, a equipa Tanqueluz é a única equipa inscrita com algo semelhante a um Land Rover. Segundo Filipe Correia, sócio da Paredecat, estas máquinas têm muita mecânica da marca inglesa e, como por exemplo os eixos reforçados da Ashcroft, muito do que não é de origem Land Rover é feito para Land Rovers, não para Wildcats. Sou sincero quando digo que até pensava que estas máquinas não tinham praticamente nada a ver com a nossa marca favorita, mas o Filipe assegurou-me que não era assim. Motores, caixas de velocidade e transferência, transmissões, eixos e muitos outros componentes são os mesmos que temos nos nossos Defenders, Discoverys e Range Rovers.

O Filipe fez-nos o obséquio de nos falar sobre estas máquinas fantásticas enquanto assistia-mos à experiente malta da Paredecar a preparar o Wildcat amarelo para a competição que se avizinha. A visita terminou com o convite para assistir-mos também aos testes que iriam ter lugar no Terródromo de Fátima, no fim de semana seguinte. Escusado dizer que aceitámos de imediato...

Uma volta a bordo do QT Wildcat.
O pessoal da Paredecar prepara o Wildcat para o dia de testes.
Dia de testes
O dia começou cedo na pista que serve de aeródromo em Fátima. O pessoal da Paredecar já andava de volta do Wildcat, preparando-o para um dia de testes. A manhã foi passada entre testes de acelerações e de velocidade de ponta. Uma bomba de direcção assistida teimava em não querer fazer parte da equipa e por isso teve de ser substituída. Da parte da tarde as coisas animaram e Lino Carapeta mostrou algumas das capacidades da máquina fora de estrada, com várias voltas ao traçado do aeródromo/terródromo.

Uma volta com Lino Carapeta no QT Wildcat
Após várias voltas ao circuito, Lino Carapeta e o pessoal da Paredecar foram gentis ao ponto de nos convidar para uma volta no Wildcat, no lugar que, em competição, pertence ao Rui António. A minha esposa foi primeiro e, depois de terminada a volta, o sorriso na cara demonstrava bem a satisfação da experiência.

A entrada para o lugar do navegador é, em si, um teste, já que exige alguma ginástica. Mas depois de devidamente sentado na baquet Sparco, o conforto surpreende, por se tratar de um carro totalmente pensado para competição. Talvez por isso mesmo o banco desportivo seja tão confortável, pois se os ocupantes não tiverem o mínimo de conforto não terão uma boa performance nas duras provas que se avizinham. Lino Carapeta ajuda-me com o cinto de cinco apoios e com o headphone, para podermos falar durante a “experiência” e, com tudo a postos, partimos…

O arranque do Wildcat é rapidíssimo...
CARAMBA! O arranque é brutal e, para quem não está habituado a estas performances, rapidamente se chega a uma velocidade pouco confortável. Os primeiros segundos são passados a focar novamente os olhos, apenas para ver uma acentuada curva aproximando-se muito depressa, demasiado depressa.

É nesta altura que vem à mente a nossa própria experiência de condução. Dirigir um normalíssimo Land Rover de série não é como pilotar um destes… O meu instinto (de auto preservação) diz-me que não vamos conseguir reduzir o suficiente para fazer a curva, mas os travões da Alcon abrandam o Wildcat a tempo de virar e Lino aponta a frente do QT para o interior da curva, fazendo a traseira deslizar. Mesmo assim a velocidade é considerável e novamente o meu instinto entra em acção. Num carro normal não seria possível fazer uma curva destas a esta velocidade, com pedras e areia à mistura, sem capotar… várias vezes. Mas o Wildcat prova mais uma vez que não é um carro normal. Os coilover da Fox, dois por roda, seguram-nos direitinhos, sem hesitação, como se a viatura estivesse presa a carris.

Duas, três curvas e já me sinto mais confortável, capaz de ignorar os meus receios iniciais e começo de facto a desfrutar da experiência. Percebo que a viagem é estranhamente confortável, não se sentindo grande trepidação das muitas pedras deste circuito, como esperava. Ouve-se, no entanto, muito do que se passa lá fora, à medida que Lino faz o VW 3.0 V6 rugir e os BF Goodrich projectam pedras e areia contra a parte inferior do carro.

Mantenho-me em silêncio, tentando absorver todos os segundos da experiência que, provavelmente, nunca se irá repetir. Olho para o tablier, cheio de manómetros, relés e outros componentes cuja função desconheço. Passar semanas aqui dentro, com a concentração necessária para fazer um Dakar não deve ser nada fácil.

Chegamos aos três saltos seguidos que o percurso contém. Não são muito grandes mas, para mim, são o suficiente para que a suspensão me surpreenda novamente. Sente-se o carro a largar o solo, mas não se sente a aterragem. Pelo menos como esperava, com um baque forte e os ressaltos seguintes e a direcção a fugir em todas as direcções, que seria expectável num carro normal. Nada disso. Apesar da velocidade o Wildcat aterra suavemente, sem baques, sem ressaltos e com a direcção perfeitamente segura nas mãos de Lino.

Fazemos a larga curva de 180 graus sempre em derrapagem, atravessando as poças de água, que entra livremente no carro, molhando-me as botas. Rapidamente estamos a acelerar novamente a fundo e Lino pergunta-me se está tudo bem. Está tudo óptimo, mas só agora reparo que tenho estado sempre em silêncio, completamente deslumbrado pela viagem. Lino informa-me que atingimos os 155 Kms/h. As últimas curvas são sempre a acelerar e terminam muito depressa, demasiado depressa.


Terminamos a viagem no mesmo local onde começámos e resta-me agradecer e apertar a mão do piloto. Agora só tenho de me espremer para fora do carro. O que vale é que sou esguio!

Uma volta a bordo do QT Wildcat.
Tudo o que é bom tem um fim. Mas foi uma experiência para recordar.
Conclusão
Obviamente que o QT Wildcat não é uma viatura normal. Mas só se consegue verdadeiramente tomar noção disso depois de se passar por uma experiência destas. A nossa própria experiência automóvel não vale de nada e, na realidade, só atrapalha pois passamos o tempo a comparar o incomparável. O Wildcat é uma viatura de competição e só pode ser justamente comparado aos seus pares, não a um carro de serie. Exige determinação, confiança e conhecimento para se retirar o melhor rendimento e também nervos de aço para se carregar no acelerador desta maneira.

Ganhei um novo apreço pelos pilotos e navegadores do mundo motorizado, pelos mecânicos e preparadores que, como o Filipe, o Tó Zé e os restantes elementos da Paredecar, constroem máquinas destas, verdadeiros exercícios de engenharia. Mas também fiquei com um misto de pena e desilusão porque percebi que as fotos e vídeos que vemos nem de perto nem de longe fazem justiça ao que se passa na realidade a bordo de um Wildcat. Nunca mais nada voltará a ser o mesmo…

Uma volta a bordo do QT Wildcat.

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