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Associação Florestal Vale do Sousa ataca o Todo Terreno

Por Pedro Santos a sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Todo Terreno
O Todo Terreno em Portugal
A eterna luta entre a liberdade e o dinheiro
Por: Pedro Santos

Chamou-me a atenção recentemente uma resolução da Associação Floresta do Vale do Sousa, publicada no blog Amigos do Monte (http://amigosdomonte.blogspot.com/2011/08/associacao-florestal-do-vale-do-sousa.html), onde a entidade reclama compensações pelo uso de terrenos daquela zona para provas de Todo Terreno. Nesta resolução são referidos problemas reais e que, de facto, merecem toda a atenção para que sejam corrigidos, a bem de todos os praticantes da modalidade. Mas o que mais me surpreendeu foi o teor subjacente ao documento. Deixem-me explicar ao que me refiro:

O ponto 2 reclama que as provas são muitas vezes feitas sem informação prévia aos proprietários florestais, sem autorização destes e sem compensação por esse uso do espaço florestal. A AFVS tem toda a razão, pois mesmo nos passeios legais este é um detalhe que é, muitas vezes, esquecido. Este é, de resto, o ponto de suporta todo o documento. Mas é logo aqui que começam as minhas dúvidas. Não há, em todo o documento, uma referência à protecção ambiental. O ponto 4 refere, de facto, que os usos desordenados contribuem para a degradação dos recursos florestais, mas estes recursos referem-se às explorações (vulgo negócio), não ao ambiente. O ponto 6 também refere as acções de protecção do ambiente, mas só enquanto for a AFVS a organizar. De verdadeira preocupação pelo ambiente, nada.

Todo Terreno
Ficamos assim, com a questão da utilização de propriedades privadas, sem consentimento dos legítimos proprietários. E aqui, colocam-se-me mais dúvidas. Os legítimos proprietários são, muitas vezes, pessoas que não só não moram na zona, como nunca colocaram os pés nos terrenos, muitas vezes herdados, nem para os limpar, como de resto manda a Lei. Para se tentar encontrar e contactar os proprietários são necessárias diligências sem fim, de volta de registos antigos e desactualizados. E, se por quase milagre, se consegue chegar à fala com o tal legítimo proprietário, é quase certo que não vai permitir nenhuma actividade ou vai exigir uma compensação monetária.

E é aqui que o documento da Associação Florestal Vale do Sousa me retira todas as dúvidas: A frase Reclamar aos praticantes desses desportos e aos organizadores dessas provas as compensações monetárias, ou em espécie… não deixa margem para qualquer incerteza. Longe de estar preocupada com a preservação ambiental, a AFVS está preocupada com as compensações monetárias que pode(rá) vir a receber, esquecendo que as verbas reunidas em muitos dos passeios revertem a favor de associações locais, como é o caso dos Bombeiros Voluntários.

Chegado a esta conclusão, não merece na realidade que nos debrucemos sobre argumentos para contrapor os usos desordenados que contribuem para a degradação dos recursos florestais, pois a Associação não está interessada no facto que os danos causados pelos tractores agricolas nos trilhos de acesso e passagem dos terrenos serem bastante mais graves do que os provocados pelos pneus dos 4x4. Também não estará interessada no facto de que, ao não limparem os seus legítimos terrenos, os proprietários não só estão em incumprimento da Lei, mas também a colocar em risco de incêndio toda a zona florestal e que os tais usos desordenados são, muitas vezes, a única forma de vigilância dos terrenos e explorações (os tais recursos florestais). E provavelmente também não quererá saber que os trilhos onde circulamos são, na maioria, caminhos públicos e não propriedade privada.

Deixo, por isso, uma mensagem à Associação Florestal Vale do Sousa: Sei que, como entidade sem fins lucrativos (segundo o vosso site), a AFVS deverá estar a sentir os efeitos da crise, tal como todos nós. É por isso que muitos dos nossos passeios são feitos como forma de encontrar receitas para outras entidades sem fins lucrativos, como é o caso já referido das corporações de Bombeiros. E estas entidades poderão confirmar o quão parcas são essas receitas, não esquecendo que, na maioria das vezes, as pessoas que sacrificaram o seu tempo, viaturas e dinheiro (pois o combustível está bem caro) não são ressarcidas dessas despesas.

Todo Terreno
O Todo Terreno não é a mina de ouro que parece, os praticantes não são ricaços que andam a estragar carros no mato como já ouvi. São pessoas que abdicam do seu tempo livre e contribuem para a vigilância dos vossos recursos florestais e, muitas vezes, da limpeza dos mesmos, substituído os legítimos proprietários nas suas obrigações legais e corrigindo os erros de pessoas sem escrúpulos que despejam o lixo nas matas. Basta pesquisar na Internet o termo projecto limpar Portugal para perceber ao que me refiro.

Em vez de criarem antagonismos com as associações e clubes de Todo Terreno, abordem-nos no sentido de perceber como poderão trabalhar juntos e chegar aos entendimentos mutuamente vantajosos que reclamam no vosso documento. Até à data nunca soube de nenhum grupo de Todo Terreno que se tenha recusado a tal entendimento. Acreditem que terão muito mais a ganhar com a nossa presença nos trilhos florestais do que sem ela. Insistindo com a linha de pensamento que gerou este documento, poderão até conseguir criar impostos e multas para os praticantes de Todo-Terreno, mas o que ganharão com isso serão menos praticantes e menos eventos da modalidade. E isso significará menos limpeza, menos vigilância e inimizades diversas. É o que pretendem? Quero acreditar que não.

Moro longe daí, mas tenho a honra de ter amigos e conhecidos da lindíssima zona do Vale do Sousa e conheço o seu carácter. Sei que estão à vossa disposição para ajudar no que for necessário desde que os vossos motivos sejam honráveis e não apenas a cada vez mais comum caça ao Euro.

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