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As ligações do carjacking

Por Pedro Santos a segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O carjacking é, infelizmente, já bem familiar, apesar de ser um fenómeno relativamente recente. Mas o que tem sido actividade de pequenos grupos ou indivíduos está, actualmente, a adquirir contornos de crime internacional, organizado por grandes grupos com ligações ao mundo da droga, do tráfico de armas e de seres humanos e mesmo de terrorismo.

A notícia vem de Inglaterra, dos bairros mais sossegados e sem grandes índices de criminalidade. Range Rovers, BMW e Audis são os alvos predilectos dos assaltantes que, sob coação violenta, levam as viaturas para local desconhecido. Mas não tão desconhecido assim…

O jornalista Jonathan Green, do Daily Mail, seguiu o rasto das viaturas roubadas e chegou a conclusões surpreendentes. Estas viaturas, na maioria SUVs de alta gama, estão a ser encaminhadas para África, depois de serem embarcadas em contentores nos portos europeus e desembarcarem em locais como Durban ou Port Elizabeth, ambos na África do Sul. Aqui esperam por vezes meses dentro dos contentores até ser propício o seu transporte, já com documentos falsos. Depois de mudadas as matriculas, alterado o VIN, o número do motor e outras particularidades, a viatura segue, então, até ao cliente final, no Uganda, Zimbabwe, Zâmbia, Moçambique e até na Somália.


Politicos, criminosos e senhores da guerra são os principais clientes que até se dão ao luxo de escolher as viaturas pelos sites de classificados, contactando depois os ladrões para efectuarem o roubo. Os donos recebem os assaltantes de porta aberta, sem desconfiarem do assalto eminente. Tal como o habitual carjacking, este tipo de táticas são empregues pois as viaturas topo de gama actuais trazem sistemas de segurança mais avançados que impossibilitam o antigo método de ligação directa. Assim, os criminosos são forçados a obter a chave da viatura, pela violência ou assaltando as casas dos donos. Estas viaturas vão, assim, alimentar um mercado aparentemente inesgotável dada a necessidade de viaturas, algumas para participarem em autênticas guerras, como o recente caso da Líbia, onde já foram identificadas imensas viaturas roubadas na Europa, nas mãos dos rebeldes que actualmente controlam o País.

África do Sul, capital do carjacking
As investigações levadas a cabo no Reino Unido apontam, na maioria, para a África do Sul, um País por demais conhecido pela sua violenta criminalidade. Os detectives descobriram que a própria Al Qaeda está metida neste negócio, gerido por grupos paquistaneses com ligações no Reino Unido. Estes grupos tratam de todo o fluxo de negócio, do roubo à falsificação de documentos, alteração das viaturas e entrega das mesmas, passando, claro, pelos inúmeros subornos à polícia, operadores alfandegários e mesmo procuradores e magistrados, quando os elementos do grupo são apanhados.
Estas máfias trabalham também no tráfico de droga, de armas, diamantes e mesmo seres humanos, que servem também de “moeda de troca” pelas viaturas. Os elementos que se recusarem a entrar no esquema são normalmente eliminados.

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